Ex-ministro Ricardo Berzoini fala sobre as reformas na 2ª Plenária da Classe Trabalhadora

Atualmente sem cargo político, Berzoini tem viajado pelo Brasil para discursar contra as reformas e a favor das Diretas Já. Em Santa Catarina, esteve em Joinville, Blumenau e agora em Criciúma

Ex-ministro (esquerda) ao lado do também bancário, Edegar Generoso. (Foto: Tiago Monte/DN)
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Bruna Borges

Criciúma

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O bancário e ex-ministro do Trabalho e da Previdência Social dos governos Lula e Dilma, Ricardo Berzoini (PT), foi o palestrante nesta terça-feira, 13, da 2ª Plenária da Classe Trabalhadora, realizada no Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Criciúma (Siserp). O encontro agregou todo o Movimento Sindical do Sul Catarinense e serviu para convocar os trabalhadores para a greve geral do dia 30 de junho.

A nova paralisação será feita para protestar contra as reformas trabalhista e previdenciária, pedir a saída de Michel Temer (PMDB) da presidência e pedir por eleições diretas ainda este ano.

Para Berzoini, as reformas do governo Temer são um pacto com o empresariado. “Fará uma mudança forte na lei trabalhista, colocando por terra a CLT e enfraquecendo o papel sindical. Retira a garantia de negociação coletiva e prevê perda de direitos. A premissa da reforma trabalhista, de que vai gerar mais empregos, é equivocada. Só vai precarizar os empregos, com perda de massa salarial com a possibilidade de horário parcial. Tentaram fazer isso na Alemanha e não deu certo”, analisa, dizendo que até 1962 não havia 13º salário do Brasil e em alguns países hoje não há nem aviso prévio. “O sistema brasileiro pode ser aperfeiçoado, mas o caminho proposto por Michel Temer vai contra os trabalhadores”, contesta.

Previdência

Berzoini defende que ao invés de penalizar o trabalhador com a reforma da Previdência, o governo deveria discutir sobre contribuições possíveis, como acabar com a isenção sobre dividendos de pessoas físicas e cobrar imposto sobre grandes fortunas. “Com a reforma, grande parte da população não chegará a se aposentar. Teremos uma legião de idosos pobres. Além disso, é preciso diferenciar a aposentadoria do homem e da mulher. E o trabalhador rural se aposentar aos 65 anos também é incompatível com a vida no campo”, ressalta.

Cenário político

O ex-ministro vê o atual cenário político do País com preocupação. Para o petista, o argumento das pedaladas fiscais para o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) foi para encobrir o desejo de poder por parte da oposição (PSDB, DEM e PPS) e também de parte da base do governo, insatisfeita por não se sentir contemplada. “Michel Temer foi eleito para ser vice. Hoje ele é um presidente sem credibilidade. As delações dos executivos da JBS e da Odebrecht potencializam isso. O PSDB, ao invés de honrar a memória de Mário Covas e outras lideranças do partido, opta por ficar ao lado deste governo”, lamenta.

Saída para o País

Para Berzoini, a saída para o País seria a realização das eleições diretas. “O governo só terá legitimidade através do voto popular. Novas denúncias virão contra este governo em novas delações. É um governo instável. As lutas contra as reformas têm uma dimensão cidadã. Querem colocar os problemas na conta dos trabalhadores”, avalia.

Operação Lava Jato

Questionado sobre o que acha da Operação Lava Jato, o ex-ministro petista diz que o combate à corrupção é importante, mas critica excessos em algumas atuações policiais e a midiatização. “Os governos Lula e Dilma criaram normas de combate à lavagem de dinheiro, fortaleceram a Polícia Federal e deram autonomia para o Ministério Público. Porém, como em toda a ação policial, pode haver risco de excessos, assim como no Judiciário. Excesso de mídia também pode fazer a operação perder credibilidade. Nas investigações, tem que se preservar o direito de defesa dos acusados. A delação premiada é uma lei boa, mas não deve ser assim generosa como foi com os sócios da JBS, que acabaram indo viver uma vida de luxo em Nova Iorque”, argumenta o ex-ministro.

Atualmente sem cargo político, Berzoini tem viajado pelo Brasil para discursar contra as reformas e a favor das Diretas Já. Em Santa Catarina, esteve em Joinville, Blumenau e agora em Criciúma. “Minha origem é sindical, então, estou disposto a ajudar os movimentos sindicais”, completa.

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