Urussanga: A peça fundamental do Gemelaggio

Nevton Bortolotto, há 27 anos, teve participação decisiva na assinatura do convênio de colaboração entre Urussanga e a cidade de Longarone, na Itália

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Tiago Monte

Urussanga

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Fotos: Lucas Colombo

O conhecimento sobre a possibilidade de um acordo colaborativo entre cidades brasileiras e italianas deu a Nevton Bortolotto uma participação fundamental na assinatura do Gemelaggio entre Urussanga e Longarone. O acordo que intensifica intercâmbios sociais, econômicos e culturais de povos do Brasil e da Itália foi assinado em 26 de maio de 1992. “Eu fui a peça fundamental do Gemelaggio, porque eu conhecia esse sistema de acordo bi-nacional. Eu já tinha tido essa experiência em Nova Veneza, quando trabalhei lá de 1984 a 1986, então lá eu soube dessa possibilidade de se fazer esse intercâmbio entra uma cidade brasileira e outra italiana”, comenta Bortolotto, hoje com 59 anos.

Quando chegou a Urussanga, ele se aprofundou na possibilidade de conseguir um “sim”, já que a possibilidade entre Nova Veneza e Veneza foi solenemente ignorada pelos governantes da cidade europeia. “Fiquei sabendo que muitos sobrenomes de Urussanga eram de uma cidade da Itália que eu conhecia: Longarone. Comecei a pesquisar e descobri que todo mundo veio de lá. Então, aqui tinha tudo para dar certo. O elo mais forte entre uma cidade e outra são as pessoas. Tendo grau de parentesco lá e aqui, já tem a base feita e garantida”, pontua.

A aceitação positiva trouxe benefícios para os urussanguenses. “O primeiro fenômeno foi a ida de mão de obra jovem. Eles começaram a trabalhar como sorveteiros na Alemanha. Os alemães tem os melhores sorvetes do mundo, mas são feitos por italianos – que atendem a demanda da temporada, ganham dinheiro e retornam. Os brasileiros começaram a fazer isso também, pois faltava mão de obra na Itália. Houve um deslocamento, uma migração, que continua até hoje”, lembra Bortolotto.

Logo em seguida surgiu a possibilidade da obtenção de dupla cidadania para os brasileiros. “O consulado se viu louco para dar conta da demanda. E depois veio o intercâmbio de escolas. Eles colaboram de forma financeira com campanhas que a gente faz. Há muitas viagens de grupos daqui para lá e de lá para cá. No inicio, houve vários casamentos entre brasileiros e italianos. Depois deu uma esfriada”, enfatiza.

Hoje, o acordo deu uma desacelerada, mas os urussanguenses segue migrando para o Velho Continente. “A mão de obra continua indo para a Itália. Tem muita gente que ainda vai embora em busca de melhor perspectiva”, finaliza Bortolotto.

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