Orleans: Audiência pública mantém impasse

Mesmo após encontro prefeito de Orleans não revoga decreto que torna de utilidade pública uma área do Instituto Leonardo Murialdo. Padres não aceitam nova reunião imediata

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Tiago Monte

Orleans

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A acalorada audiência pública, realizada na noite de ontem, na Câmara de Vereadores de Orleans, em torno do decreto que dá utilidade pública à uma área de 34 hectares, de propriedade do Instituto Leonardo Murialdo (Ilem), terminou sem um acordo. O prefeito Jorge Koch e o padre Dilcionei Baggio, diretor da Rede Ilem, além de um representante da JS Empreendimentos, empresa responsável pelo loteamento da área, expuseram os projetos ao público, mas não houve um acerto entre as partes. “A nossa proposta foi apresentada e tem a proposta do seminário. Com o tempo a sociedade vai discutir, mas (o decreto) não foi com a intenção de afrontar nenhuma institução religiosa. Se eu revogar o decreto, alguém vai discordar. Ninguém quer a sociedade dividida. Vamos trabalhar para recompor a unidade na cidade”, comenta o prefeito.

Ao final da fala de Koch, na tribuna da Câmara, houve um debate entre ele e o padre Baggio. O prefeito de Orleans chegou a mencionar que revogaria o decreto se houvesse uma garantia de que o Instituto Murialdo se instalaria em Orleans até o final do ano. “Eu não negocio com a faca no pescoço”, respondeu o padre. “Se você quiser negociar, revoga. Essa é a condição do Instituto. Nunca deixamos de negociar”, completou Baggio. A resposta de Koch seguiu a linha de raciocínio. “Se não é fácil negociar com a faca no pescoço, imagine com uma metralhadora dessas”, contrapôs o prefeito, se referindo às condições dos diretores do Ilem.

Dois ônibus com 60 pessoas se dirigiram de Araranguá, com simpatizantes do Ilem, até a Câmara Orleanense para acompanhar a audiência. Eles chegaram a vaiar Koch, durante a explanação dele, e muitas vezes bradaram as palavras “devolve” e “revoga”. “Nós vamos aguardar a recuperação dos responsáveis legais pelo Ilem, que passaram por cirurgias, para agendarmos uma reunião. Isso deve demorar mais uns 20 dias. Até lá, vamos aguardar a opinião do povo de Orleans. O prefeito Koch governa para o povo de Orleans e não para Araranguá”, enfatiza Gabriel Bianco, chefe de gabinete da Prefeitura de Orleans.

As duas propostas expostas

Dentro da proposta da prefeitura de Orleans, existe a construção de um parque para lazer, escola, creche e até um novo Centro Administrativo, além de outras melhorias. A compensação para o Ilem é de 27 milhões de reais com 180 lotes que somam 11 hectares. E mais um espaço que poderá ser comercializado por 5 milhões de reais. “Eles não perderão nada e terão uma cidade sustentável, preparada para o futuro com mobilidade urbana. Uma cidade que eu quero morar”, explica Koch.

A empresa JS Empreendimentos tem um contrato com o Ilem para lotear o terreno. O total serão de 400 lotes, que renderá o mesmo valor proposto pela prefeitura. “O projeto de loteamento está protocolado na prefeitura de Orleans. Montamos o projeto, existe uma licença ambiental. Precisamos apenas adequar o projeto para dar andamento”, comenta Leucimar Ceron, superintendente da JS.

O padre garante que a missão educacional do Ilem será mantida para Orleans. “Não vamos levar o dinheiro embora e sim investir em educação e projeto social. Em cada obra Josefina, temos obras sociais. Nos preocupamos com o próximo e queremos disponibilizar isso para Orleans”, comentou Baggio.

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