Tributos e infraestrutura como principais inimigos do desenvolvimento

Obstáculos ainda são os principais a serem superados pelo Sul do estado aponta o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar em entrevista ao Tribuna de Notícias

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Marciano Bortolin

Criciúma

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 A elevada carga tributária e a falta de infraestrutura ainda são os grandes problemas que não permitem um melhor desempenho da indústria do Sul do estado. A constatação é do presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina, Mario Cezar de Aguiar. 

Em entrevista ao jornal Tribuna de Notícias, ele ainda aponta a aprovação da Reforma da Previdência como abertura de caminha para novas mudanças, como a revisão dos sistemas tributário e político. “Não podemos mais postergar as reformas estruturais”, diz.

Com relação à recuperação da economia, Aguiar salienta que há um desempenho positivo nos últimos anos, principalmente em 2017, mas ainda abaixo do nível registrado em 2014, antes do início da crise. Por outro lado, o saldo de empregos ainda está na casa dos 50 mil postos de trabalho negativos em todo o estado. No Sul, este número é de 10 mil, também negativos. “O lado positivo é que estamos observando o retorno da intenção de investir da indústria. Sua efetivação depende, em boa medida, da aprovação da nova Previdência. Caso se confirme, vai acelerar a recuperação econômica. Com isso, setores como o de confecções, alimentos, cerâmica e químico, que possuem mais da metade dos empregos industriais da região, serão fortalecidos.”, pontua.

Entrevista com o presidente da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar:

TN: Como está a confiança dos empresários e quais as perspectivas?

Mario Cezar de Aguiar: O nível de confiança do industrial catarinense se mantém elevado. A pesquisa realizada pela Fiesc em abril indica um valor de 60,8 pontos, numa escala de 0 a 100. Na prática, este número representa um nível de otimismo com a economia, tanto das condições atuais quanto das expectativas para os próximos seis meses. No entanto, estamos vivenciando a terceira queda seguida da confiança, o que ocorre também no Brasil. Em parte, esta redução catarinense está atrelada ao lento avanço das reformas necessárias para destravar a economia.

TN: Quais os principais entraves para o desenvolvimento do Sul do estado?
Mario Cezar de Aguiar:
Há um conjunto de desafios que afeta a indústria brasileira como um todo e a do Sul está neste contexto. Podemos destacar a elevada carga tributária e a falta de infraestrutura, fatores que encarecem a produção e reduzem a competitividade. No caso dos impostos, se num primeiro momento não for possível diminuir a alíquota, a simplificação do sistema já seria um passo importante, pois teríamos menos burocracia no dia a dia das empresas. Isso, de alguma forma, aliviaria custos. Há uma expectativa que a aprovação da Nova Previdência abra caminho para outras mudanças, como a revisão dos sistemas tributário e político.

TN: Anunciado para Criciúma, o Centro de Inovação do governo do estado ainda não saiu do papel. Quanto a região perde enquanto este Centro não entra em atividade?
Mario Cezar de Aguiar:
Ambientes que promovem inovação são fundamentais para fortalecer o ecossistema catarinense, agregam conhecimento e valor às empresas e à comunidade onde estão instalados. Sempre que investimentos na área são executados de forma mais lenta, perdemos uma oportunidade de acelerar o desenvolvimento regional.

TN: Nesta linha, qual a importância da inovação e tecnologia para o desenvolvimento da indústria?
Mario Cezar de Aguiar:
A inovação e a tecnologia caminham juntas e são imprenscindíveis para melhorar processos, criar novos produtos e soluções não só para a indústria, mas também para o dia a dia das pessoas. Santa Catarina tem um ecossistema forte de inovação, com polos regionais reconhecidos nacionalmente. Nesse sentido, a Fiesc tem uma rede de institutos de inovação e tecnologia que trabalha em parceria com a indústria no atendimento às demandas e com foco na ampliação da competitividade. Inclusive, em Criciúma está localizado nosso Instituto Senai de Tecnologia em Cerâmica, que está apto a atender não só as empresas da região, mas de todo o estado.

TN: Qual a importância da educação, da mão de obra qualificada para a economia no cenário atual?
Mario Cezar de Aguiar:
A educação constitui um dos fatores estruturantes do desenvolvimento regional e é uma das bandeiras da Fiesc. Os investimentos na formação de trabalhadores têm impactos positivos na produtividade, na elevação da renda e na qualidade de vida das famílias. Em Santa Catarina, Sesi e Senai estão presentes em todas as regiões do estado, levando desde a educação básica à profissionalizante, com foco na indústria. No ano passado, registramos cerca de 255 mil matrículas em educação básica, profissionalizante e superior em todo o estado.

*Confira a reportagem completa no Tribuna de Notícias desta sexta-feira, dia 17.

 

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Por: Marciano Bortolin
Em: Criciúma

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