Safra da tainha: mesmo com anseio, expectativa boa

Foto: Daniel Búrigo/TN
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Marciano Bortolin

Balneário Rincão

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As fortes ondas do Balneário Rincão assustavam muita gente ontem à tarde. Menos aqueles que dependem do mar para viver. Caso do pescador Danilo dos Santos que, em meio ao vento, ajeitava a rede com o auxílio de um amigo para lançá-la na água. “O mar agitado não me assusta”, dizia ele pronto para ir mar adentro.

Há cinco anos, ele escolheu viver da pesca e desde o último dia 1º de maio, ele passou a sair à “caça” da tainha, já que a temporada foi aberta. Junto a ele, cerca de 400 famílias fazem parte da Colônia Z-33 e até pelo menos junho, seguirão quase que diariamente com os pés na areia arriscando lanços de rede, torcendo pela chegada dos cardumes.

Um dos principais motivos que faz a tainha chegar na orla e fazer a felicidade dos pescadores é a água em temperaturas mais baixas, porém, para este ano, as previsões não são animadoras. O presidente da Colônia Z-33, João Picolo explica que as águas mais profundas precisam estar geladas para que a tainha procure a mais quente na costa. “Enquanto a água estiver quente, ela não vem. O pior é que a temporada já está passando e ela (tainha) faz o curso indo até o Rio de Janeiro. Independente da temperatura, ela vai embora”, pontua Picolo, acrescentando que os dois melhores meses são maio e junho.

Torcida pela correnteza

O climatologista, Márcio Sônego, confirma as palavras do presidente da colônia de pescadores, ressaltando que o fenômeno El Niño está sobre o Oceano Pacífico. “Isso nos afeta em termos de frentes frias, então em ano de El Niño, o frio não é tão intenso no inverno e o Oceano Atlântico, inclusive, vai ficar mais quente nestes próximos meses”, fala.

Para não contar com a temperatura da água, os pescadores precisam torcer pelo vento sul, que ajuda a tainha chegar através da correnteza. A notícia boa é que isso pode acontecer entre hoje e amanhã e na semana que vem. “Se for temperatura de mar, não teremos águas mais frias nestes meses, o que vai influenciar são as correntezas de sul. A partir de sábado até terça-feira, talvez o vento sul ajude as tainhas a chegar aqui”, cita.

Ainda com relação ao tempo, Sônego diz que o inverno deste ano não será muito intenso. “Nos próximos meses a costa do Atlântico terá temperatura de 1ºC acima da média histórica, não esfria tanto quanto as pessoas esperam”, conclui.

Em 2016, o último bom registro 

Há 12 anos, Maurino Moraes, de Barra Velha, sustenta a família através da pescaria. Acostumado com o mar, as fortes ondas não lhe espantam. “O mar agitado é ainda melhor”, comenta.

Desde o dia 1º de maio, ele registrou em torno de 30 quilos de tainha.

Experiente, o pescador artesanal esteve presente na última grande pescaria no balneário: 100 toneladas em 2016. Depois disso, foram 60 toneladas em 2017 e uma breve melhora no ano passado, quando foram registradas 80 toneladas. “Este ano foi ruim na pescaria anchova, da corvina, conseguimos nos sair mais ou menos na pesca da tainhota na temporada de verão, mas a tainha é o nosso carro chefe, é a maior renda dos pescadores. Gostaríamos de ultrapassar as 100 toneladas, mas as previsões não são boas”, observa.

Economia da cidade

Para o presidente da Colônia Z-33, não são somente os pescadores os beneficiados com a cultura. “Isso mexe com a economia do Rincão. Não é só os pescadores que ganham, mas o comércio ganha”, diz.

*A reportagem completa você confere no Tribuna de Notícias desta terça-feira, dia 7.

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Por: Marciano Bortolin
Em: Balneário Rincão

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