Fraudes e assédio aumentam o endividamento dos idosos

Foto: Lucas Colombo/TN
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Marciano Bortolin

Criciúma

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A aposentada Maria Salete Luiz saiu de casa para mais uma ida normal ao banco. Conferir o extrato do aposento é uma rotina há pelo menos 10 anos. Mas em uma das últimas vezes, ela acabou surpreendida. Ao pegar a folha com os dados, impressa no caixa eletrônico, ela e a filha que geralmente a acompanha, surpreenderam-se com os descontos em seus vencimentos. A causa era um seguro de vida que ela nunca fez. “Eu tenho um seguro, mas vieram descontados dois. Se fosse somar daria muito dinheiro”, fala a aposentada de 70 anos.

Mais do que isso, quase que diariamente ela recebe ligações de instituições financeiras oferecendo os mais variados tipos de empréstimos. “Com o salário que a gente ganha não tem como fazer empréstimo. Se pega R$ 200, paga R$ 400. Vimos muitos idosos caindo nestes golpes e depois recebendo uma mixaria de aposento porque é tudo descontado”, completa.

Estes fatos não são exclusivos da aposentada que residente no bairro Próspera. Muitos idosos são assediados e vítimas de constantes golpes, motivos que têm aumentado o endividamento de pessoas acima dos 60 anos.

De janeiro de 2018 e maio de 2019, o Procon de Criciúma recebeu 2.377 idosos entre 60 e 70 anos de idade, ou seja, 28% dos atendimentos feitos pelo órgão. Com mais de 70 anos foram 1.070 pessoas (11%).

E o número não diminui. De 24 de abril a 23 de maio foram 222 idosos atendidos. Deste número, 106 denunciaram casos relacionados à telefonia e à internet. Os bancos aparecem na segunda colocação em reclamações com 41 casos. “Há relatos de suspeita de fraude, impossibilidade de solicitação de boleto para quitação de empréstimos, envio de documentação incompleta aos consumidores (contrato), cobranças indevidas, cobranças não reconhecíveis, cobrança de empréstimo nunca contratado, entre outros”, fala o coordenador do Procon, Gustavo Colle, que cita ainda que houve caso de consumidores atendidos mais de uma vez no intervalo dos 30 dias. “Seria retorno para verificar o cumprimento de compromissos assumidos pelos fornecedores em questão no atendimento inicial”, diz.

Com relação às seguradoras, Colle explica que as maiores reclamações se dão por conta de cartões de créditos que são fornecidos junto à contratação de seguros, em alguns dos casos há indícios do que se conhece por venda casada, prática abusiva prevista no Código de Defesa do Consumidor.

A presidente do Conselho de Defesa da Pessoa Idosa da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Subseção Criciúma, Milly Christie Lima, diz que na maioria dos casos, os bancos não fazem levantamento da saúde financeira do idoso. “Quanto maior o valor mensal, maior o empréstimo. Nos deparamos com empréstimos que chegam a R$ 200 mil. O aposentado vai morrer e a dívida vai ficar. Quando abrir o inventário, aquela dívida será deduzida da herança”, explica.

*A reportagem completa você confere no Tribuna de Notícias desta segunda-feira, dia 3.

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Por: Marciano Bortolin
Em: Criciúma

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