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Marciano Bortolin

 

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Criciúma

Genésio Alves tem motivos de sobra para comemorar no mês de abril. Além do aniversário, comemorado nesta última quarta-feira, dia 17, ele festeja também o Dia do Metalúrgico no próximo domingo, dia 21.

O sorriso é de quem ama o que faz, e faz há muito tempo: há 27 anos, quando iniciou na profissão de metalúrgico como ajudante de moldador, passando para moldador na sequência, mesma função que exerce até hoje. Natural de Orleans, mas morando em Nova Veneza há cerca de 30 anos, ele atua na Fundição Nobre, do distrito de Caravaggio há 17 anos.

Casado, com uma filha e dois netos, ele credita tudo que conquistou à profissão que escolheu. “Quando comecei, não tinha nada. Só tínhamos a nossa filha e mais nada. Hoje, temos terreno, casa, fiz a casa da minha filha, temos carro, moto, tudo graças à profissão e a oportunidade que me foi dada”, salienta o metalúrgico que mesmo com as adversidades impostas pela profissão, nunca pensou em trocar de ramo.

Com o iminente aposento, previsto para junho ou no máximo julho deste ano, Alves sairá de cena torcendo e incentivando jovens interessados em atuar na área. “Quem inicia, procuramos incentivar bastante, é o meu último ano e que outros possam ocupar o meu lugar e fazer o que faço”, comenta.

Além das peças que Alves ajuda a fazer que ganham diversos estados do país, ele se orgulha em ver o seu trabalho exposto em alguns pontos de Nova Veneza. Como exemplo cita o Santuário Diocesano de Nossa Senhora do Caravaggio e o portal de entrada do município. “Sinto-me feliz em fazer estes projetos tão bonitos”, fala o metalúrgico que fez curso de moldador, mas que aprendeu diversos outros ofícios da profissão através do empenho.

Uma bela reação. Com estas palavras, o presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânica e Material Elétrico de Criciúma (Sindimetal), Carlos Sprícigo resume o momento vivido pelo setor na visão dos empresários.

Ele salienta que após anos consecutivos em que o Produto Interno Bruto (PIB), esteve negativo teve uma reviravolta a partir de2018, quando o mercado retomou as contratações de forma mais aguda. Por outro lado, ele diz que o ramo encontra barreira quando o assunto é a habilitação de pessoas. “Precisamos de políticas consistentes de desenvolvimento de pessoas, de treinamentos que envolva o “Sistema S” (Sesi e Senai) e políticas públicas municipais, pois para as cidades é interessante ter pessoas empregadas, principalmente em uma profissão tão boa”, fala.

Para ele, os Poderes Públicos municipais têm interesse porque, mão de obra qualificada contribui com a geração de empregos, impostos e consequentemente de renda.

O sindicato possui atualmente 44 empresas conveniadas da Amrec e da Amesc, totalizado sete mil empregos diretos.

Para o futuro, Sprícigo vislumbra bons anos. “Há uma expectativa do Brasil crescer de forma consistente. Talvez no início deste ano perdemos uma boa oportunidade pela demora da aprovação das reformas, mas elas devem acontecer no segundo semestre”, projeta.

A mudança de governo também é outro ponto considerado positivo pelo presidente do sindicato. “Notamos que com o governo que foi eleito, lógico que touxe confiança para o empresário voltar a investir. A mini Reforma Trabalhista trouxe confiança para o empreendedor local e eles investindo, automaticamente precisam de pessoas, gerando novas oportunidades”, fala.

Ainda para ele, o trabalhador é um dos protagonistas. “O trabalhador é muito importante. É uma profissão maravilhosa que propicia o desenvolvimento de muitos produtos. Gostaríamos que cada vez mais pessoas optassem por esta profissão”, finaliza. 

 Sindicato forte, trabalhador forte

Foto: Lucas Colombo/DN

Hoje, na área de abrangência do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico (STIMMME), que vai de Passo de Torres a Braço do Norte, existem em torno de 12 mil trabalhadores. Porém, os associados à entidade ficam na casa dos 1,2 mil.

O presidente, Francisco Pedro dos Santos, destaca a importância da participação dos metalúrgicos no órgão para um setor mais forte. Como exemplo, ele cita a luta pelo dissídio, agora em maio. “Se não tiver o sindicato cobrando, as empresas não querem nem saber se tem que dar o aumento para o trabalhador uma vez por ano”, pontua.

Além da inflação, que Santos acreditará que irá fechar em 5%, os trabalhadores pedem aumento real de 3%.

As mudanças impostas pela Reforma Trabalhista também afetaram o sindicato. O presidente conta que, mesmo o órgão sendo o que tem a menor taxa (1%), muitos trabalhadores não se associam. “O piso salarial atual é de R$ 1,6 mil, ou seja, desconta R$ 16 de cada trabalhador. Tem direito a médico, dentista, entre outros benefícios. Por conta disso que o patronal está fazendo está difícil de continuar com este assistencialismo. É muito importante que depois disso que o Governo fez, uma destruição das entidades sindicais, o trabalhador venha para o sindicato, se associar. O governo quer que os trabalhadores venham para o sindicato e paguem por meio de boleto. Isso não existe”, diz o presidente, acrescentando que muitos ainda não compreendem a importância do sindicato. “A questão do sindicato hoje está complicada por conta desta Medida Provisória do Governo. O trabalhador ainda não entende a necessidade do sindicato. O sindicato é para proteger o trabalhador. A gente sempre teve a organização livre, Vamos na empresa associamos e o patrão desconta. Várias empresas, por conta desta medida, entendem que não pode fazer nada de desconto na folha do trabalhador, porém já temos decisão da Justiça que não. Se o trabalhador concorda com o desconto, tem que descontar”, argumenta.

Ele relata ainda que o desemprego é o pesadelo para muitos profissionais da área e que há um grande número de demissões sendo registradas atualmente. “Uma ou outra empresa está bem. Algumas fichando, a maioria não está boa. Até o momento continua estagnado. Temos empresa grande que fez uma nova, ia começar a contratar, mas por conta da situação econômica demitiu ainda, cerca de 70 trabalhadores. A gente está esperando que o mercado melhore para contratar de novo”, cita.

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Por: Marciano Bortolin
Em: Criciúma

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