Timbé do Sul: gralha-azul é devolvida à natureza após reabilitação

A bióloga do Consórcio que executa o lote catarinense, Anaitê Zanette Stüpp, conta que localizou a ave com ferimentos na asa e a encaminhou para o Hospital Veterinário da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), na cidade de Tubarão, comunicando o ocorrido à Polícia Ambiental de Maracajá. Uma radiografia constatou a fratura na asa, sendo necessária a realização de cirurgia para correção clínica da lesão.

- PUBLICIDADE -

Uma gralha-azul retornou à natureza nesta quarta-feira (06/02), em Timbé do Sul, quase oito meses após colaboradores das obras de implantação e pavimentação da BR-285/RS/SC terem a encontrado ferida na Serra da Rocinha. A soltura realizada por agentes da Polícia Militar Ambiental de Laguna ocorreu nas proximidades do local em que a ave foi resgatada em junho de 2018. A ação foi acompanhada pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT/SC), por meio do Consórcio Setep/Ivaí/Sotepa e da Gestora Ambiental (STE S.A.) do empreendimento.

A bióloga do Consórcio que executa o lote catarinense, Anaitê Zanette Stüpp, conta que localizou a ave com ferimentos na asa e a encaminhou para o Hospital Veterinário da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), na cidade de Tubarão, comunicando o ocorrido à Polícia Ambiental de Maracajá. Uma radiografia constatou a fratura na asa, sendo necessária a realização de cirurgia para correção clínica da lesão.

- PUBLICIDADE -

Conforme o médico veterinário e professor da Unisul, Joares May, a consolidação da fratura demorou cerca de dois meses. Além disso, a gralha passou a ser acompanhada também pelo Dr. Paulo Rodrigues, especialista em reabilitação de animais. “Como é um animal silvestre, ela apresentou um comportamento muito alterado e de difícil manejo”, explicou o professor. A fase de reabilitação envolveu uma série de etapas devido ao elevado tempo de cativeiro. May explica que a gralha teve que reaprender a voar, recuperar instintos como o da caça e ser treinada para ter aversão ao ser humano.

Prevenção deve ser reforçada nas rodovias

O Hospital Veterinário da Unisul tem parceria com a Polícia Militar Ambiental de Santa Catarina para o acompanhamento e reabilitação de animais silvestres e faz ainda o atendimento de animais exóticos de particulares. Conforme Joares May, são recebidos de dois a três animais por semana entre répteis, aves e mamíferos. As ocorrências envolvem, em sua maioria, animais atropelados ou alvejados por tiro.

Os atropelamentos em rodovias são uma das principais causas de mortalidade de diversas espécies da fauna no Brasil. Para minimizar este impacto nos seus empreendimentos, o DNIT executa medidas visando prevenir a morte direta de indivíduos e preservar a conectividade da paisagem. No caso da BR-285/RS/SC, a travessia segura dos animais no trecho catarinense será facilitada por meio de estruturas conhecidas como passagens de fauna. Na Serra da Rocinha, área preservada e de rica biodiversidade, há três destes dispositivos subterrâneos. Já no trecho urbano haverá ainda duas passagens secas por baixo das pontes sobre os rios Rocinha e Serra Velha. “São medidas extremamente importantes, pois elas acabam diminuindo o impacto sobre a fauna”, salienta o médico veterinário.

Ele ressalta, no entanto, que há diversas ações simples que podem contribuir para redução da mortandade nas estradas: a manutenção das passagens de fauna, o corte da vegetação perto das rodovias, o monitoramento na época de transporte de grãos (que atraem animais para cima da pista) e o controle da velocidade. “Foi feito um grande trabalho conjunto para recuperação desta gralha-azul, mas o trabalho deveria ser muito mais de prevenção do que curativo”, analisa. Vale salientar que a equipe do Programa de Educação Ambiental da BR-285/RS/SC trabalha o tema em diferentes atividades no intuito de sensibilizar os usuários e comunidades lindeiras à rodovia para um comportamento de direção preventiva em relação aos atropelamentos.

-- PUBLICIDADE --
Compartilhar

NOTA: O DN Sul não se responsabiliza por qualquer comentário postado, certo de que o comentário é a expressão final do titular da conta no Facebook e inteiramente responsável por qualquer ato, expressões, ações e palavras demonstrados neste local. Qualquer processo judicial é de inteira responsabilidade do comentador.