Funcionários protestam em frente à empresa de abate de aves

Vizinhos da fábrica também participam da manifestação, na localidade de Capão Bonito, em Criciúma. Pedido é para o fim do mau cheiro exalado pelo local e para o pagamento dos direitos trabalhistas, que estão atrasados

Foto: Divulgação/DN
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Criciúma

Reportagem atualizada às 11h30min

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A manhã desta segunda-feira, 9, começou com um protesto na localidade de Capão Bonito, em Criciúma. Funcionários de uma empresa de abate de aves, assim como ex-colaboradores e vizinhos do local, estão reunidos em frente à fábrica, onde se manifestam. Entre as reivindicações do grupo está o fim do mau cheiro exalado pelo empreendimento, assim como o pagamento dos salários e demais encargos trabalhistas, que estão atrasados.

Segundo informações, mais de 100 pessoas protestaram em frente à empresa nesta manhã. Conforme um ex-funcionário, os salários não estão sendo pagos pelo empreendimento ou são quitados em diversas parcelas, o que prejudica os trabalhadores. Além disso, vários encargos também não estão sendo pagos, como as rescisões e descontos sindicais. Atualmente, a empresa está em processo de recuperação judicial.

Os trabalhadores também reclamam sobre as condições e forma de trabalho no local, afirmando que são inadequadas, como o abatimento de aves que não se encaixavam no padrão de qualidade.

Reclamação dos moradores próximos

Já os moradores da região de Capão Bonito e Verdinho cobram o fim do mau cheiro exalado pela empresa. De acordo com a comunidade, o pedido já se estende há mais de dois anos, mas nada foi feito pela fábrica para resolver o problema.

O protesto ocorreu em frente à unidade e o trânsito na Rodovia Jorge Lacerda fluiu normalmente. Viaturas da Polícia Militar (PM) estiveram no local, a fim de garantir a segurança.

Reunião define acordo

Uma reunião realizada na manhã desta segunda-feira definiu um acordo entre a empresa e os funcionários. Conforme o presidente do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação de Criciúma e Região (Sintiacr), Jeovanio Eler, o estabelecimento se comprometeu com um cronograma de pagamentos, que inicia já nesta tarde.

Os primeiros a receber serão os funcionários que foram despedidos recentemente. “Na sexta-feira, eles (a empresa) demitiram 67 trabalhadores por telefone; nem os chamaram lá. Durante essa demissão, era para eles terem feito o pagamento no quinto dia útil, o não foi feito. E hoje nós acertamos que até as 18 horas eles vão pagar integral o salário para esses 67 trabalhadores demitidos”, explica o presidente.

Já o salário dos demais funcionários será pago na totalidade até sexta-feira, 13. Até agora, eles receberam em torno de 20% dos vencimentos. As rescisões de todos os trabalhadores desligados até então – e que ainda não receberam os valores que têm direito – serão quitadas a partir da semana que vem. Segundo Eler, a empresa se comprometeu a depositar semanalmente R$ 15 mil, para cobrir as obrigações trabalhistas e o FGTS, que não vinha sido depositado.

Com o acordo, os trabalhos no local devem ser retomados ao longo da manhã. O sindicato continuará acompanhando a situação, para confirmar se os pagamentos serão feitos.

Posicionamento da empresa

A reportagem entrou em contato com a empresa, para buscar um posicionamento sobre as questões levantadas no protesto. De acordo com a diretora Claudia Nuernberg, no caso do problema de mau cheiro, a fábrica vem investindo e buscando formas de minimizar os danos à comunidade. “Ela assinou uma espécie de Termo de Comprometimento com a Fatma (agora IMA) para um estudo de diagnóstico do que estaria causando esse mau cheiro. E o prazo para protocolar esse estudo é dia 16”, ressalta.

Segundo ela, o estudo contratado identificou que, atualmente, o tratamento é feito de forma totalmente biológica. Então, é necessário fazer também tratamento físico-químico, para tirar a matéria-prima orgânica e minimizar o mau cheiro. O levantamento será protocolado no próximo dia 16 e, posteriormente, será feito um plano de ação, que passará pela análise do Instituto do Meio Ambiente (IMA).

Já o atraso no pagamento de salários e das rescisões foi influenciado pela greve dos caminhoneiros. Conforme a diretora, por causa da paralisação, a empresa ficou 12 dias sem abater as aves e sem faturar, o que levou às demissões. Além disso, o empreendimento também está em processo de recuperação judicial, o que contribui para o quadro. Entretanto, ela garante que o pagamento será feito conforme o combinado com o sindicato e com os trabalhadores.

Quanto às condições de trabalho, Claudia refuta qualquer possibilidade de irregularidades. “Isso não pode. Há uma fiscalização do Ministério da Agricultura em 100% do tempo. Isso não tem como acontecer. Há todo um controle de sanidade exigido e questões de procedimentos de higiene que precisam ser cumpridas”, ressalta.

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Em: Criciúma

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