Orleans: TJ multa ex-prefeito por nepotismo

Caso é referente a quando Jacinto Redivo, o Tinto, nomeou a esposa como secretária de Assistência Social e Habitação

Foto: Divulgação/DN
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Bruna Borges

Orleans

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A Quarta Câmara de Direito Público do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ/SC) decidiu, por unanimidade, conhecer e dar provimento a recurso do Ministério Público (MP) estadual declarando a nulidade da Portaria 294/2010 e, consequentemente, reconhecendo a prática do ato de improbidade e condenando o ex-prefeito de Orleans, Jacinto Redivo, o Tinto (PSD), e a esposa Terezinha Furlan Redivo ao pagamento de multa civil equivalente a 20 vezes o valor da remuneração percebida pela secretária (Terezinha) à época dos fatos.

Participaram do julgamento os desembargadores Sônia Maria Schmitz e Luiz Antônio Zanini Fornerolli.

Apelação do MP

O MP apelou da sentença que, em ação civil pública por improbidade administrativa, julgou antecipadamente improcedentes os pedidos de declaração de nulidade de portaria expedida pelo Município de Orleans e de condenação do ex-prefeito e da esposa a pagamento de multa civil.

Justificou-se na sentença anterior que não configura prática de nepotismo, consoante entendimento assumido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), a hipótese de contratação de familiar (cônjuge) para ocupar cargo político, mercê da Súmula Vinculante 13.

O recurso do MP sustenta que a Corte Suprema não se posicionou definitivamente sobre o assunto (nepotismo pela contratação de parentes para um posto eminentemente político). Defende que enquanto não aprofundado o debate e decidida a questão, prevalece a premissa que vem do enunciado, o qual deve preponderar inclusive para tais cargos, referendada que está, no âmbito local, pela Lei Orgânica do Município. Caracterizada a ofensa à moralidade e à impessoalidade, requereu a reforma do julgado para que, anulado o ato ímprobo, fossem os réus condenados ao pagamento de multa civil em montante correspondente à remuneração percebida pela ré durante o exercício indevido da função pública.

Defesa

Ex-prefeito e esposa, durante o processo, defenderam, por meio de advogado, que não se pode cogitar prática de nepotismo a nomeação de parentes para funções de natureza política, que são de livre provimento pelo gestor.

Por fim, argumentaram que “a secretária exercia as suas funções com uma competência ímpar”.

A reportagem tentou contato telefônico com Tinto e com o advogado, mas não obteve êxito.

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