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Quem o vê brincando entre as crianças, recebendo carinhos e transformando vidas pode não perceber que é treinado para ser um cão policial farejador. Marley é um labrador, com pouco mais de um ano, que tem uma missão um tanto quanto diferente dos colegas de canil. Ele é responsável por garantir sorrisos, promover a interação e fazer com que os alunos da Associação Amigos dos Autistas (AMA) de Criciúma vejam a vida por outra perspectiva.

Desde quando chegou ao canil do 9º Batalhão de Polícia Militar (BPM), em Criciúma, sabia-se que ele seria o escolhido para retomar o projeto, já desenvolvido em parceria com a escola. Por isso, recebeu um treinamento diferenciado e voltado para auxiliar no tratamento do autismo. “O projeto já existia anos atrás, mas parou porque o cão se aposentou. Quando recebemos o Marley, entramos em contato com a AMA para saber se tinham interesse em recomeçar o projeto”, explica o comandante da Companhia de Patrulhamento Tático (CPT), capitão Mário Luiz Silva.

Comandos de cinotecnia

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Com o sinal positivo da instituição, Marley passou a receber os treinamentos da cinotecnia para poder atuar no projeto. No período de preparação e desenvolvimento do trabalho, os profissionais da AMA estiveram em contato com os policiais que atuam no Canil para repassar as informações sobre a doença e a importância do animal para desenvolver diversos aspectos em uma pessoa autista. “Nossa missão é a preservação da ordem pública, mas buscamos o comprometimento para termos uma sociedade melhor”, expõe o capitão.

Foto: Lucas Colombo/DN

Evolução nos alunos

Desde o início deste ano, o batalhão de Criciúma é o único do Estado que trabalha com a cinoterapia. E os resultados têm sido mais do que positivos aos mais de 30 alunos de diversas idades que já conviveram com o cão. Segundo Érico Boneti Bernardo, desde que o Marley apareceu, a vida do pequeno Miguel, de 5 anos, mudou completamente. O menino é autista, tem dificuldade na fala e frequenta a AMA desde os 2 anos. “Após o tratamento com o Marley, foi a primeira vez que eu vi o meu filho falar”, expõe o pai com a felicidade estampada no rosto.

Quando chega em casa, após a escola, Miguel tenta relatar os fatos do dia. Nas terças-feiras, sempre conta sobre os momentos vividos ao lado do cão policial. “Ele era envergonhado, e está progredindo. A companhia do Marley tem feito muito bem”, afirma o pai.

Desafio ao dia a dia policial

A rotina no Canil da Polícia Militar mudou após o início dos trabalhos com a AMA. As manhãs de terças-feiras também são esperadas pelos policiais, que ganham um momento diferenciado da rotina militar. “Durante as manhãs a gente sai para correr com os cachorros, a tarde temos treinamento e à noite às vezes temos operações. As terças-feiras são mais tranquilas e diferentes. Ver o Marley brincando e os alunos interagindo é algo muio bom”, salienta o soldado Rodrigo Cardoso de Souza.

Para que o cachorro pudesse interagir com os alunos, um treinamento diferenciado foi oferecido a ele. Além disso, a escolha da raça foi essencial. “O labrador tem esse lado mais brincalhão”, pontua.

Desde que o projeto foi iniciado, Souza passou a ver a vida de uma nova perspectiva. “Mesmo que às vezes pensamos que temos problemas no dia a dia, sabemos que nada é comparado às dificuldades de cada um destes alunos. É um momento em que posso ajudar eles de alguma forma”, salienta.

Expectativas altas para as manhãs de terças-feiras

As terças-feiras são os dias da semana mais esperados por Kauã Gonçalves Berto, de 11 anos. Ele é aluno da AMA e, desde o início deste ano, está inserido nas sessões de cinoterapia desenvolvidas em conjunto com a Polícia Militar.

Muito além do que uma sessão terapêutica, o momento é de diversão para o menino. Ele vê em Marley algo muito além de um cachorro: um amigo. A alegria de Kauã é jogar a bolinha, já a de Marley é correr o mais rápido que puder para alcançá-la e trazer de volta ao grupo. “Eu gosto muito dele, e fico com saudades quando vamos embora. Durante as férias, ficamos sem ver ele, e fiquei com saudades”, conta o menino.

Embora o motivo principal da visita ao 9º BPM seja passar um tempo com Marley, o trabalho dos policiais passou a ser referência às crianças. Kauã se tornou amigo dos policiais que atuam no Canil e almeja um dia poder usar uma farda e ingressar na corporação.

A matéria completa está disponível na edição impressa desta sexta-feira, 1º de setembro, do Diário de Notícias

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Em: Criciúma

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