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Suelen Bongiolo
Criciúma/Forquilhinha

Encaixando peças e exercitando o raciocínio lógico, as crianças de hoje descobrem uma maneira diferente de aprendizagem. A inclusão de ferramentas e disciplinas tecnológicas no ambiente escolar, envolvendo estudantes de todas as idades, está se transformando cada vez mais em um caminho a ser trilhado pela educação. O contato mais próximo com a robótica e com a computação, por exemplo, é uma dessas maneiras de reinventar o ensino no país. Com blocos de montar, os jovens aprendem uma nova forma de olhar o mundo.

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É assim que acontece no Colégio Satc, em Criciúma, onde desde pequenas as crianças já aprendem a lidar com esses novos desafios. Desde os dois anos até a fase da adolescência, os estudantes se aventuram pelo mundo da robótica e assimilam, de forma descontraída, essas inovações do futuro. “É uma brincadeira. E, nessa brincadeira, podemos ensinar matemática, física, ciências… todos os conceitos que a gente quer trabalhar. O aluno de hoje não quer mais ficar parado, estático. Precisa de uma aula dinâmica, de uma aula diferente”, destaca a professora Andréia Mariot Scarduelli, responsável pela disciplina.

Escola de Talentos estimula a criação e o conhecimento

Em sala de aula, alunos aprendem desde a parte de criação das peças até a área de programação dos robôs / Foto: Lucas Colombo/DN

Além da disciplina aplicada à grade curricular do Ensino Infantil e Fundamental I, o colégio ainda conta com a Escola de Talentos, que estimula e agrega conhecimentos, inclusive os tecnológicos. Elias Enns, de 13 anos, Gabriel Tomasi Brognoli e Teo Torres da Silva, ambos com 12 anos, estão entre os quase 100 estudantes que participam da turma de robótica. Para os três, o gosto pelo desenvolvimento de robôs surgiu quando ainda eram pequenos e deve se estender para a área de graduação profissional. “Eu entrei na Satc por causa da robótica. Desde os quatro anos tenho interesse nessa área de eletrônica, mecânica e da velocidade”, relata Enns.

Do básico ao avançado

Na sala de aula, eles aprendem a robótica utilizando desde o LEGO Mindstorms NXT (linha do brinquedo voltada à educação tecnológica) até a parte avançada, com a cultura “maker” ou do “faça você mesmo”. “Nesse caso, eles já trabalharam desde a parte de criação, de pensar as peças e o desenho delas em AutoCAD, e fizeram o corte delas na impressora a laser. E agora eles estão fazendo a parte de montagem. Depois eles vão programar em Arduino. Então vai ter a parte de elétrica, eletrônica, de informática e a mecânica. Tudo isso misturado é a nossa mecatrônica. Que é robótica”, explica o professor Guilherme Cardoso Cruz.

Modernização está presente também de maneiras mais simples

Projetor se torna aliado na otimização do tempo das aulas e na facilidade em expor conteúdos / Foto: Lucas Colombo/DN

Mas não é apenas com didáticas tão variadas que a tecnologia se faz presente no ambiente escolar. Muitas vezes ela está inserida de forma mais simples, como nas salas de informática ou no uso de lousas digitais. Um exemplo dessa aplicação é o que ocorre na rede municipal de Educação de Forquilhinha, que há aproximadamente um mês implantou 25 projetores multimídias nas escolas, para se tornarem aliados no ensino.

Conectada a um notebook, a ferramenta já começa a reinventar as aulas e expandir as oportunidades a serem trabalhadas em sala. “Eu faço produção textual, mas tenho que mostrar tudo no quadro para, por exemplo, indicar que um aluno fez parágrafo, mas o outro não fez. Então já quero usar o projetor para eu fazer as correções no coletivo. Porque fazer uma por uma é muito demorado”, ressalta a professora de Língua Portuguesa da Escola de Educação Básica (EEB) Francisco Hoepers, Maria Inês Sehnem Redivo.

Instrumentos que auxiliam no aprendizado

Com projetos para expandir ainda mais a atuação tecnológica nas escolas, como a aquisição de netbooks a serem utilizados pelos estudantes junto ao projetor, a Prefeitura de Forquilhinha enxerga a importância de acrescentar inovações à área da educação. “O aluno de hoje está dentro desse conceito. Então a informática vem para ser uma ferramenta no aprendizado. Não quer dizer que a tecnologia vai resolver os problemas, mas é uma ferramenta que aproxima professores e alunos”, frisa a secretária municipal de Educação, Sonia Regina Silveira Gonçalves.

Revolução do ensino ainda encontra obstáculos

Entretanto, não é toda instituição de ensino que possui consciência sobre a importância da utilização dessas ferramentas no processo de aprendizagem. Alguns obstáculos encontrados nesse percurso ainda atrasam essa modernização no âmbito escolar. “Mesmo as tecnologias mais comuns, como computadores, tablets e smartphones, ainda são pouco usadas para atividades pedagógicas na educação básica. Um dos motivos são escolas sem infraestrutura para a inserção das TICs (Tecnologias da Informação e Comunicação), como falta de laboratórios de informática, internet ou laboratórios sucateados ou, ainda, a baixa qualidade do acesso à internet”, explana a pesquisadora em Tecnologia Educacional, Rose Bard.

Outro fator apontado pela especialista para essa ausência de tecnologias em sala de aula é a resistência de professores em inserirem essas ferramentas no processo de ensino. “Mesmo em escolas que possuem uma boa infraestrutura, esse é um dos impedimentos para que se promova a inovação no ensino”, acrescenta Rose.

No entanto, já há alternativas disponíveis para que os docentes consigam se modernizar e, assim, visualizar nesses instrumentos um aliado no desenvolvimento do ensino. “Hoje contamos com muitas ações na área educacional para ajudar os professores a desenvolverem suas habilidades e competências para o uso da tecnologia na educação. A Google, por exemplo, conta com uma rede de educadores voluntários, o Grupo de Educadores Google”, comenta a pesquisadora.

Os desafios do mercado do futuro

Desenvolvimento de jogos digitais está entre as áreas tecnológicas em expansão no país / Foto: Suelen Bongiolo/DN

Com a presença de ferramentas tecnológicas inseridas na educação desde a infância, os cursos profissionalizantes e de graduação também necessitam, aos poucos, seguir essa mesma linha de modernização. Opções voltadas à área de inovação e de desenvolvimento surgem como novidades na região, sendo verdadeiras apostas feitas pelas universidades e por outras instituições de ensino. O objetivo principal é capacitar a população e suprir uma demanda cada vez maior no país.

Jogos digitais

Iniciado em 2015, o curso de Tecnologia em Jogos Digitais, da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), é uma das opções vinculadas ao campo da inovação. Com o objetivo de repassar ao acadêmico os conhecimentos técnicos necessários para ele projetar um jogo, a graduação ainda prepara os jovens e os adultos para atuarem em uma fatia de mercado em ascensão. “Essa é uma indústria bastante forte. Na verdade, ela movimenta bilhões (de reais) no mundo. E o nosso mercado, aqui em Criciúma, está começando agora a crescer. As pessoas estão começando a entender o que são os jogos e que eles podem ser, na verdade, aplicados para qualquer área. Não é só mais para o entretenimento, pois já acabou passando essa barreira”, ressalta o coordenador do curso, Paulo João Martins.

Retorno positivo para o próprio setor da educação

Os resultados proporcionados por esse novo tipo de capacitação e mercado de trabalho pode ir muito além do esperado, favorecendo a própria área da educação. Para isso, por exemplo, o profissional formado ou o acadêmico pode desenvolver um jogo relacionado à determinada disciplina – como Matemática ou Língua Portuguesa –, estreitando ainda mais os laços entre tecnologia e ensino. “O que a gente vê é que existe um benefício bastante interessante da aplicação dos jogos dentro da sala de aula, como um recurso educacional. Realmente, uma das características que a gente percebe é que eles conseguem desinibir o aluno. Então ele se aproxima mais dos professores. E, inclusive, existem alguns relatos de que, com o uso do jogo dentro da sala de aula ou para aquele tipo de aplicação, foi possível reduzir a evasão escolar”, enfatiza Martins.

Reinventando-se também na melhor idade

De uma forma simples, idosos são apresentados às novas tecnologias / Foto: Lucas Colombo/DN

Quem acha que essa gama de inovações se estende apenas até a qualificação profissional para a fase adulta está enganado. O ensino aliado às novas ferramentas rompeu barreiras e já alcança também as pessoas idosas, que são beneficiadas com esse novo meio educacional. O projeto de extensão “Informática para a Melhor Idade”, do curso de Ciência da Computação da Unesc, é um exemplo dessa inclusão. De forma simples, leve e dinâmica, as professoras transmitem aos alunos os principais conhecimentos sobre itens tecnológicos, como computador, internet e celular.

Em meio à novidade

Para quem já cresceu em um ambiente rodeado de tecnologias, isso pode parecer coisa simples. Mas, para esses alunos, esse tipo de contato com o meio tecnológico passa a ser uma novidade. “A nossa geração não teve esse conhecimento que a geração de agora já sabe desde o início. A gente aprendia alguma coisinha em casa, com os filhos e os netos. Mas se sente muita dificuldade, porque é muito complexo”, comenta o dentista aposentado José Luis Nascimento, de 72 anos.

Novas oportunidades por meio da inclusão

Para os alunos, esse processo de aprendizagem pode proporcionar benefícios que não se restringem apenas a uma forma de manter contato com familiares que moram longe. Essa inclusão pode, inclusive, resultar em novas oportunidades para a vida. “No meu caso, eu entrei no projeto porque queria aprimorar os meus conhecimentos, que eram o básico do básico. E agora eu tenho a pretensão de arrumar algum emprego, de me colocar no mercado de trabalho com isso. Pode ser só uma pretensão, mas vou tentar”, ressalta, de forma animada, o aposentado José Airton Pacheco, de 65 anos.

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Por: Suelen Bongiolo
Em: Criciúma/Forquilhinha

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