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Criciúma

Atualmente, as mulheres estão cada vez mais donas de si e com propriedade no que fazem. No esporte, torcer por um time de futebol não é mais exceção masculina. O que muitas não queriam – e ainda não querem – era sofrer assédio dentro de um estádio de futebol, até porque era para ser apenas um lazer e, principalmente, um momento de emoção em assistir ao seu clube do coração.
Uma pesquisa realizada pela Organização Internacional de Combate à Pobreza ActionAid, realizada em setembro de 2016, revelou que 86% das brasileiras ouvidas sofreram assédio em público. Este dado faz o torcedor da Barra Brava Os Tigres, Vitor Justino acreditar que é preciso mudar toda uma geração. “Ficar olhando uma mulher ou desejando ela nos faz homens ridículos. É preciso saber que temos mães, irmãs e, um dia, teremos filhas. Em minha opinião, antes de abrir a boca para falar ou até mesmo olhar para quem quer que seja, é necessário pensar nas consequências”, afirma.

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A advogada Gabriela Costa Fernandes esclarece que o assédio tem previsão no artigo 216 A do Código Penal, tratando-se de constrangimento com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual. A pena para esse crime é de detenção de um a dois anos, sendo aumentada em até um terço se a vítima for menor de 18 anos.

“Para que seja identificado o crime de assédio sexual, a vítima deve fazer uma denúncia em uma delegacia, abrir um boletim de ocorrência e, logo depois, fazer uma representação contra o agressor, ou seja, abrir um processo judicial contra a pessoa que o agrediu”, explica Gabriela.

A pesquisa ainda revelou que, em relação às formas de assédio sofridas em público pelas brasileiras, o assobio é o mais comum em 77% dos casos. Para a psicóloga Priscila Serafim, esses atos podem causar danos significativos para as mulheres. “Elas podem se sentir reprimidas, inferiores, desvalorizadas e outros sentimentos que podem levar a uma patologia, como distúrbios de ansiedade e depressão, permitindo assim um sofrimento constante. Por isso, muitas procuram tratamento para se recuperar”, explica.

Para a representante do Coletivo Feminista Antonieta de Barros, Vitória Souza, as mulheres estão cada vez mais ligadas a lugares que sempre foram masculinos. “É inegável que, nos últimos anos, as mulheres têm subvertido as rígidas normas de gênero e perambulando por estes lugares, outrora exclusivamente ‘dos homens’, como é o caso dos estádios, postos de trabalho chefiados por mulheres ou até mesmo na política”, pontua.

Torcedoras falam de experiências

A estudante de Direito, Ana Paula Bonazza vai aos jogos do Criciúma com frequência e acredita que tudo tem limite. “Todos precisam compreender que vou como quiser ao estádio e ninguém tem o direito de me olhar, assobiar ou falar da minha roupa, até porque vestimenta nenhuma define a pessoa que sou”, expressa.

A integrante da Barra Brava, Paula Spader conta que as mulheres da torcida conversam sobre o tema e que o debate é sempre válido. “Nós estamos juntas todos os fins de semana e, com isso, é preciso que esse assunto esteja sempre em nosso meio e que uma cuide da outra. Porém, vale lembrar que os homens da Barra sempre nos trataram com muito respeito, igualdade e, principalmente, como mulheres”, destaca.

Paula acredita que as mulheres não podem deixar homens influenciarem em suas decisões. “Piadas, olhares, assobios ou qualquer tipo de maldade não poderão nos impedir de ir da maneira que acharmos confortável para os estádios”, acrescenta.

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