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Marciano Bortolin

Criciúma/Brasília

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Atualizado às 12h40min

O presidente Michel Temer (PMDB), oficializou nesta quinta-feira, 22, através de Medida Provisória (MP) um novo formato para o Ensino Médio. As alterações devem ter resultado até mesmo no vestibular. As motivações para as mudanças, segundo ministro da educação Mendonça Filho, está na falência do ensino médio brasileiro. “O Ideb está estagnado desde 2011, sendo que o desempenho em língua portuguesa e matemática são menores que em 1997”, salienta.Mudanças2

Atualmente, o Brasil possui 1,7 milhão de jovens entre 15 e 24 anos que não estudam nem trabalham, sendo que apenas 18% daqueles que frequentam a escola ingressam no ensino superior. “Estes dados justificam a urgência desta MP”, fala o ministro.

“O Ideb está estagnado desde 2011, sendo que o desempenho em língua portuguesa e matemática são menores que em 1997″, Mendonça Filho, Ministro de educação

Mudanças 1Mudança da grade curricular

Uma das mudanças importantes está relacionada à grade curricular. O conteúdo obrigatório será menor para privilegiar cinco áreas: língua portuguesa, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica e profissional. A alteração visa dar ênfase às vocações dos alunos. Entre as disciplinas que deixam ser obrigatórias estão artes, educação física, filosofia e sociologia. A grade curricular atual contém 13 disciplinas obrigatórias.

O ensino da língua inglesa também passa a ser obrigatória a partir do sexto ano. Antes do MP, uma língua estrangeira deveria constar no currículo a partir do quinto ano. Um segundo idioma será optativo.

Por se tratar de uma Medida Provisória, a decisão entra em vigor imediatamente. O texto altera artigos da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), de 20 de dezembro de 1996.

Aula em tempo integral

Baseado no ensino de diversos países do mundo, a Medida Provisória implementa o ensino integral, porém não será colocada de forma drástica. Será incluída nas instituições de ensino gradativamente até atingir 1,4 mil horas por ano. Hoje, o total é de 800 horas.

1,4 mil horas por ano

de aula prevê a lei atual

O Governo Federal estima tem, até o final de 2018, cerca de 500 mil alunos frequentando as escolas em período integral. O novo método passa a valer a partir do primeiro semestre do ano que vem. “Queremos dobrar o total de jovens beneficiados dentro do principio da educação integral. Isso irá tirar muitos da vulnerabilidade e garantir uma educação pública de qualidade”, completa o ministro.

Mudanças serão apresentadas aos gerentes regionais em outubro

Com as novas regras, alunos deverão permanecer na escola por mais tempo. Foto: Camila Marini/DNSul
Com as novas regras, alunos deverão permanecer na escola por mais tempo. Foto: Camila Marini/DNSul

O secretário de Estado da Educação Eduardo Deschamps, deve apresentar as formas de implantação das alterações aos gerentes de educação em encontro que acontece nos dias seis e sete de outubro. “Nesta reunião trataremos do calendário de matriculas para 2017 e já aproveitaremos para debater o tema”, fala a gerente de educação da Amrec, Juci Fernandes.

 

“De nada adianta eles ficarem em tempo integral se não estarão aproveitando este período”, Rafael müller, professor da unesc

Juci acredita ainda que as mudanças chegam para ajudar o ensino. “O período integral dará mais atrativos aos alunos que terão disciplinas extra-curriculares durante o tempo que permanecerão na escola”, salienta.

O professor da Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc), Rafael Müller, salienta que ações efetivas são importantes para que os alunos aproveitem melhor o tempo que permaneceram na escola. “De nada adianta eles ficarem em tempo integral se não estarão aproveitando este período”, questiona.

MudançasSugestões do conselho são acatadas

Deschamps, que é presidente do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed) salienta que o Ministério da Educação (MEC), acatou algumas sugestões do conselho para formatar a Base Nacional Comum Curricular (BNCC). “O Consed, desde 2012, apresenta propostas em parceria com técnicos, professores, estudantes, representantes da sociedade. Ao longo desse período, mostramos pelo menos três propostas incorporando alterações de currículo, flexibilização e tempo integral”, enfatiza.

Inovação do ensino

Ao assinar a MP, Temer disse que a decisão é uma inovação para o ensino médio e que a nova estrutura visa preservar a vocação de cada estudante. “A escola tem que ser grande aliada na formação de cada jovem. A decisão foi tomada de forma rápida porque os jovens e a educação não podem aguardar”, fala.

Outro objetivo da decisão é diminuir a taxa de abandono que, em 2014, foi de 7,6% , mais que o dobro identificado nos anos finais do ensino fundamental (3,5%), de acordo com o MEC. A taxa de abandono, porém, tem diminuído desde 2006, quando atingiu o pico de 15,3%. “Os jovens poderão escolher um currículo mais adequado para as cada vocação e a educação deve servir para o pleno desenvolvimento das pessoas”, conclui.

Edição extra é publicada nesta sexta-feira

O MEC publicou nesta sexta-feira, 23, edição extra da Medida Provisória com ajustes técnicos e correções de português.

Nela, o ministério ainda explica que nenhuma disciplina será extinta, porém, a partir da aprovação da MP, é que conteúdos como artes e educação física poderão ser praticadas somente por alunos que tenham interesse nestas áreas.

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Por: Marciano Bortolin
Em: Criciúma

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